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Imagine um professor do sertão nordestino que usa um assistente de inteligência artificial para criar uma atividade sobre a história local — e recebe como resposta referências genéricas em inglês, exemplos importados de uma realidade que não é a sua, sem menção ao cordel, à caatinga ou à cultura que seus alunos conhecem de perto. Esse professor não está usando uma ferramenta ruim. Está usando uma ferramenta que simplesmente não foi feita para ele.
O dado que explica esse distanciamento é simples e revelador: menos de 1% dos dados usados para treinar os grandes modelos de inteligência artificial do mundo estão em português (GARCIA, 2026). Em outras palavras, as ferramentas mais adotadas nas escolas e universidades brasileiras foram construídas ignorando, em essência, a nossa língua, os nossos sotaques, a nossa diversidade cultural e as nossas referências educacionais. Esse não é apenas um problema técnico. É uma questão estratégica.


