José Zaidan

José Zaidan (meu pai)

 

Teixeiras (MG em 10/Junho/1924)        –          Ponte Nova (MG – 19/Outubro/1974)

(crônicas abaixo)

 

José Zaidan, cujos pais emigrantes do Líbano, vindos para o Brasil na primeira década do século XX, não legaram a ele e aos seus irmãos nenhuma fortuna, mas deixou-lhes a “riqueza do trabalho”.

Cursou até o primário. Em 1944, foi de Teixeiras para Ponte Nova. “… procurei com todo o cuidado, pisar ao descer da Dona Leopoldina, com o pé direito, supersticioso como todo brasileiro que preza, e … funcionou! Sabendo ter sido Ouro Preto, capital, etc. e tal, curioso para conhecê-la, como todo turco, lá fui e acabei vendendo feijão. Aí, então, encontrei o mapa da mina.”

Com o passar do tempo, já viajando e vendendo nos arredores de Ponte Nova, foi obrigado a colocar em Lafaiete um depósito, além do que já havia em Ponte Nova, para fazer o beneficiamento de arroz vindo de Goiás. Do sul trazia feijão e banha, da Bahia trazia feijão, açúcar e outros produtos de São Paulo. Nesta época já tinha uns bons compradores (muito mais amigos que compradores), em São João Del Rey e redondezas.

Montou uma fábrica de camisas, com um maquinário que cortava 100 peças de uma vez. Além disto, fabricava “sandálias de dedo” , engarrafava cachaça e álcool. Comentava-se, em tom de brincadeira, que não se sabia qual era a pinga e qual era o álcool.

Com a experiência adquirida nos negócios, vislumbrou a possibilidade de abrir o primeiro Supermercado em Ponte Nova – talvez um dos primeiros de Minas Gerais. A idéia que as pessoas pudessem entrar, escolher e pegar o produto, encher um carrinho, passar em um caixa para pagar, era inovadora. Em Março de 1971, seu sonho se tornou realidade – “Supermercados Picpo”. Construído em um prédio próprio, junto com seu irmão e sócio Maninho Zaidan, no centro de Palmeiras, ao lado da Praça. Logo depois outra filial, em outro bairro de Ponte Nova.

Em Julho de 1974, inaugurou o “Hotel Picpo”, em plena atividade até hoje. Cinqüenta apartamentos em três andares, em cima do Supermercado de Palmeiras. No seu discurso, transcrito na íntegra no Jornal Folha de Ponte Nova, disse: “a visão tornou-se realidade”.

Contudo, zelava muito pelo serviço social, tornando-o conhecido por todos. Era Vicentino e Crucilhista. Pegava a Kombi e ia de comércio em comércio dos amigos, recolhendo donativos para pessoas carentes. Era comentarista de esportes da rádio Ponte Nova. Fazia a hora do Ângelo, todas as sextas – 18 horas. Escrevia duas colunas no Jornal: uma de esportes, “Bola na Rede”, e outra sobre os problemas da cidade, “Dramas da Cidade”, que assinava com o pseudônimo de Ran Rhu.

Botafoguese doente (mais do que Cruzeirense), admirava o futebol de Garrincha. Amante do cinema, ficava encantado ao assistir Zorba, O Grego, estrelado por Anthony Quinn.

Casou-se com Penha Hadad Zaidan, companheira maravilhosa, também descendente de sírio-libaneses. Tiveram cinco filhos.

Aos 50 anos, em outubro de 1974, um enfisema pulmonar fulminante tirou-lhe a vida. O pouco vivido foi suficiente para uma história maravilhosa e grandes realizações.

Seu legado extraordinário deixou marcas profundas. Exemplo e inspiração para minha vida familiar, profissional, acadêmica e religiosa.

A seguir estão alguns dos seus artigos publicados no Jornal Folha de Ponte Nova, nos anos 1970.

O que me impressiona é a similaridade dos temas com os dias atuais.
 

 

 

 

 

 

 

 

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